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Petição pública obriga INAE a suspender obras de

construção de mercado de peixe na marginal

Vitrina, 13.08.2025 - A pressão exercida por um movimento de cidadãos que lançou esta semana uma petição pública a exigir a “suspensão imediata” das obras de construção do mercado de peixe na marginal, obrigou o governo a suspender a obras.

Em comunicado divulgado esta terça-feira, o Instituto Nacional de Estradas, ENAE, ordenou a suspensão das obras de construção do mercado de peixe na marginal.

“O INAE tomou, com particular apreensão conhecimento das reclamações públicas sobre o projeto de construção de infraestrutura de apoio a atividade piscatória, no âmbito da requalificação da avenida marginal da cidade de São Tomé”, diz o comunicado.“

O INAE reitera a consciência da legitimidade das reclamações, incluindo um abaixo-assinado levado a cabo por um grupo significativo de cidadãos no país e na diáspora”, acrescenta a instituição.

No comunicado de duas páginas a que o Vitrina teve acesso, o INAE sublinha que “após a análise consciente e minuciosas sobre a questão, em concertação entre o Ministério das Infraestruturas e Recursos Naturais, o Ministério do Ambiente e Turismo e demais partes interessadas, se decidiu pela suspensão dos trabalhos da edificação das infraestruturas para que seja reequacionada a ideia inicia prevista no projeto”.

O documento sublinha ainda que “uma solução adequada, que acautele os interesses de todas as partes interessadas, com particular atenção à comunidade piscatória afetada pelo projeto, com base numa ampla auscultação de opiniões técnicas e socioeconómicas está a ser equacionada e será em devido tempo comunicada”.No comunicado o INAE diz que “compreende as reclamações dos cidadãos e no seguimento dos princípios basilares de boa governação está comprometido com a busca de solução para os problemas que os afetam”.

Recorde-se que um grupo de cidadãos que inclui políticos, economistas, escritores, pintores, jornalistas e juristas apoiaram uma “Petição Pública” que pede a “suspensão imediata” da construção do mercado de peixe na Marginal 12 de Julho, na cidade de São Tomé, no âmbito da requalificação dos dois primeiros lotes de toda a marginal que se estende da entrada de São Marçal, até ao aeroporto Nuno Xavier.

A petição que já subscrita por mais de 300 cidadãos tem como destinatário o Governo de São Tomé e Príncipe, Ministério de Infraestruturas e Recursos Naturais, Camara Distrital de Agua Grande, Banco Europeu de Investimento e UNESCO (para avaliação do impacto patrimonial).

“Nós, abaixo-assinados, cidadãos são-tomenses, residentes e amigos de São Tomé e Príncipe, manifestamos a nossa profunda preocupação com a construção do novo mercado de peixe na Marginal 12 de Julho, em frente ao monumento nacional a Capela de Bom Jesus e a Praça da UCCLA”, lê-se no documento onde os proponentes consideram que o projeto é “arquitetonicamente agressivo, desarmonizado o casco antigo da cidade que merece preservação e valorização”.

O documento a circular nas redes sociais justifica que a localização deste mercado de peixe em frente a monumentos históricos e numa área até agora livre de construções “é inaceitável” e compromete a paisagem cultural e turística da baía” de Ana Chaves.

O projeto é também criticado pelo facto de não incluir estações de tratamento de águas residuais, o que levará ao despejo de afluentes não tratados no mar, constituindo “um crime ecológico e ameaçando a fauna marinha”.

M. Barros

 

 

 

 

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