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MLSTP quer lei temporária para suspender Tribunal Militar e entregar o caso 25 de novembro a Primeira Instância, mas ADI diz não

Vitrina, 24.07.2025 – O MLSTP lançou um repto às restantes três bancadas do parlamento, nomeadamente do ADI e do MCI/PS/PUN e também do Basta no sentido de aprovarem uma Lei Temporária que suspenda a criação do Tribunal Militar para que seja o Tribunal de Primeira Instância julgar processo sobre o caso 25 de novembro.

“Pode-se produzir uma lei temporária para suspender o Tribunal Militar e remeter todo o processo para Primeira Instancia”, propôs Wando Castro, deputado da bancada do MLSTP, principal partido da oposição.A proposta da bancada parlamentar do MLSTP já foi, entretanto, rejeitada.

O ADI, maioritário na Assembleia Nacional já veio rejeitar a proposta.“Não estou de acordo, confesso. Por isso apelo ao governo para que arranje as condições para acelerar o funcionamento do Tribunal Militar para que haja o julgamento”, disse Arlindo dos Santos.

O repto foi lançado durante o debate parlamentar de urgência pedido pelo MLSTP, sobre do Relatório da Comissão Económica dos Estados da Africa Central (CEEAC) que se deslocou a São Tomé para investigar a alegada tentativa de golpe de estado de 25 de novembro de 2022, na origem da qual quatro civis foram cruelmente torturados até a morte e um quinto violentamente espancado, por altas patentes do exército, no quartel das Forças Armadas.

Na visão do MLSTP o reenvio do processo de 25 de novembro ao Tribunal de Primeira Instância iria permitir maior celeridade no julgamento deste processo que já vai completar três anos sem que o tribunal a que foi remetido ainda não esteja constituído na sua plenitude.

“Nós temos que perguntar realmente se todos os deputados que estão cá querem que este caso seja resolvido, se querem que esse julgamento vá até ao fim”.A bancada do MLSTP faz uma radiografia sobre os passos até agora dados e conclui que “estamos a distrair as pessoas, os familiares de quem perdeu a vida estão a ser distraídos”.Para o MLSTP a intenção que fica subjacente é que “parece que está-se a empurrar este processo com a barriga” para “distrair o povo”.“O Ministério Publico (MP) acusou, vai para Primeira Instância que decide separar os processos, alegando que as questões de morte têm que ir para o Tribunal Militar. MP recorre, os advogados recorrem e constitui-se o Tribunal Militar um ano depois”, explica o deputado do MLSTP.“

Dois dias antes, em 23 de novembro de 2023, ou seja, antes do primeiro aniversário dos acontecimentos, para acalmar um pouco as águas, o governo nomeia os juízes do tribunal militar. Passado um mês, em 21 de dezembro, vem o presidente do Tribunal Militar dizer que ainda não recebeu o processo e que não tem condições de trabalho”, acrescenta.

Continua a descrever o percurso dos acontecimentos para dizer que “Já com este governo, em 1 de fevereiro de 2025 o senhor ministro (da defesa) vai para uma visita no quartel e diz que o processo é para avançar e que em breve haverá julgamento”.“Isso foi há quase sete meses. Já houve Orçamento Geral do Estado, existe verba para o Tribunal Militar, mas até agora nada. E tudo isso faz questionar: as pessoas querem mesmo que este processo seja resolvido?”.O MLSTP coloca em dúvida a capacidade do Tribunal Militar para julgar este processo.

“Há o caso do presidente do Tribunal Militar não ser formado em direito, não tem nenhuma experiência em direito e foi nomeado juiz presidente para julgar. Há uma acusação formal do MP de homicídio qualificado, crime de sangue, pena maior. O que é que o governo faz?, promove todos os que estão acusados e dá bolsas para viajar. Que sinal estamos a passar?, questiona o partido, considerando que “alguma coisa se passa, há alguma força que não quer que se descubra a verdade”.

Entretanto, ontem a ministra da Justiça, Vera Cravid garantiu durante a sessão parlamentar desta quarta-feira que o assunto foi entregue ao Tribunal Constitucional para decidir se o Tribunal Militar tem competência ou não para julgar os crimes ocorridos dentro do quartel das Forças Armadas, durante os acontecimentos de 25 de Novembro.

Vera Cravid garantiu ainda que até o final deste ano haverá uma decisão sobre se os processos que envolvem os crimes de homicídio qualificado ocorridos em 25 de Novembro serão julgados pelo Tribunal Militar ou se regressam ao Tribunal de Primeira Instância.

M. Barros

 

 

 

 

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